quarta-feira, 21 de março de 2012

O PROJETO DE PESQUISA



Documento escrito que contém todos os elementos de planejamento de uma pesquisa a ser realizada. Nenhuma pesquisa deverá ser realizada sem um projeto, da mesma forma que não se constrói um prédio sem ter antes uma planta. Serve, portanto, como guia e para organizar a realização do trabalho.

Elementos do Projeto

Tema - O tema é o assunto, é aquilo que trata a pesquisa, o trabalho, a monografia que se pretende redigir. É o aspecto mais genérico de um assunto dentro de uma área de conhecimento. O tema deve mostrar qual o objeto da pesquisa.

Problema ou problematização - Nenhum tema pode ser tratado se não for um problema. Em um ou dois parágrafos, mostrar exatamente o que vai ser pesquisado, em forma de pergunta, a questão chave que levou a pesquisar, e que será respondida com o resultado da pesquisa.

Justificativa - Na justificativa deve-se citar as razões que tornam importante a realização da pesquisa proposta, do ponto de vista da sua contribuição pessoal para a ciência e para a sociedade. No caso de apresentar seu projeto a órgãos financiadores, é importante convencer os patrocinadores; no meio acadêmico, o professor orientador deverá ser convencido sobre a validade da realização da pesquisa.

Como justificativa deverá ser redigido um texto dissertativo de aproximadamente uma página explicando a importância do trabalho para a área de conhecimento do curso e para sua formação especificamente. Contextualizá-lo e apresentar todos os dados que tiver sobre ele.

Perguntas que deverão ser respondidas nesse texto: Por que vou fazer essa pesquisa? Qual a relevância social? Qual a contribuição para a ciência? Qual a contribuição pessoal, para o curso ou para a instituição na qual se trabalha?

Objetivos - Em um trabalho científico os objetivos existem para demonstrar para que pesquisar e quais os propósitos do estudo. Dividem-se em Objetivo Geral e Objetivos Específicos.

Hipótese - Elaborar a hipótese sob a forma de uma frase afirmativa que representa uma possível resposta para a questão chave (problema) da pesquisa e que será analisada no trabalho.

Referencial Teórico - Também chamado de Revisão de Literatura, Revisão Bibliográfica, Fundamentação Teórica, Quadro Teórico etc., apresenta o que já foi dito sobre o assunto. Trata-se de um texto sobre uma visão geral do problema, a partir de autores consultados, onde se faz citações mencionando-se as fontes consultadas. Nesta parte do projeto, o texto não é conclusivo, pois a pesquisa ainda será feita.

Metodologia ou Procedimentos Metodológicos - A metodologia mostra o como vai ser realizada a pesquisa, indicando como obter e como trabalhar com as informações. Deverá mostrar onde e como fazer a pesquisa, indicando ainda onde serão obtidas as informações.

Através de um texto dissertativo, explicitar que procedimentos metodológicos serão utilizados para fazer o trabalho : pesquisa bibliográfica, de campo, documental, questionários, entrevistas, testes, comparações, etc. Se possível elaborar modelos dos instrumentos a serem utilizados.

Nessa fase do projeto, deve-se optar por um tipo de pesquisa. Esta poderá ser apenas bibliográfica, mas poderá também ser empírica, com trabalho de campo, através de um estudo de caso.

Após relacionar o tipo de pesquisa escolhido, o investigador deverá selecionar um método que norteará sua análise e as técnicas que operacionalizarão os métodos através do uso de instrumentos como entrevistas, questionários, observações, etc. para a coleta de dados. O pesquisador deverá ainda deixar bem claro o universo em que pretende desenvolver a pesquisa: determinar a instituição e definir a população-alvo e a amostra.

Cronograma - Nessa parte o aluno deverá fazer uma previsão do tempo necessário para a realização da pesquisa, considerando o tempo e os procedimentos metodológicos definidos, distribuindo a tarefas no tempo em que o trabalho deverá estar pronto.


Mapa Conceitual


O mapa conceitual é uma ferramenta para organizar e representar o conhecimento. Essa atividade pode ser feita paralelamente ao desenvolvimento de muitos projetos.

Esse recurso é utilizado para representar graficamente relações significativas entre os conceitos de um determinado assunto. Durante o processo de construção de um mapa conceitual, o aluno exercita sua capacidade de estabelecer pontes entre os conhecimentos que já tem e os adquiridos no decorrer do processo. Além disso, na dinâmica da elaboração de um mapa conceitual, o professor pode acompanhar o raciocínio feito pelo estudante durante a aprendizagem, em qualquer área.

Como é um mapa conceitual

Os conceitos geralmente aparecem em caixas, e a relação de significados entre os dois termos é indicada por uma linha que os une. Nessa linha, deve haver uma frase (proposição) que contenha um verbo conjugado de acordo com o sentido que se quer dar. Não são utilizadas setas para simbolizar a conexão como no fluxograma e pode–se ter dois ou mais conceitos conectados por frase de ligação.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Métodos Científicos de Pesquisa

Método: é um meio mais eficaz para atingir determinada meta.


Ciência: Investigação racional ou estudo da natureza, direcionado à descoberta da verdade. Tal investigação é normalmente metódica, ou de acordo com o método científico – um processo de avaliar o conhecimento empírico;


Pesquisa: Uma pesquisa é um processo de construção do conhecimento que tem como metas principais gerar novos conhecimentos e/ou corroborar ou refutar algum conhecimento pré-existente. É basicamente um processo de aprendizagem tanto do indivíduo que a realiza quanto da sociedade na qual esta se desenvolve. A pesquisa como atividade regular também pode ser definida como o conjunto de atividades orientadas e planejados pela busca de um conhecimento.


Atualmente, também se entende pesquisa como qualquer busca realizada por meio da internet.


Ao profissional da pesquisa (especialmente no campo acadêmico), dá-se o nome de pesquisador.


Métodos Científicos: destacamos o método experimental e o método estatístico.



Método Experimental


Neste tipo de pesquisa o investigador analisa o problema, constrói suas hipóteses e trabalha manipulando os possíveis fatores, as variáveis, que se referem ao fenômeno observado. A manipulação na quantidade e qualidade das variáveis proporciona o estudo da relação entre causas e efeitos de um determinado fenômeno, podendo-se controlar e avaliar os resultados dessas relações.


Consiste em manter constante todas as causas, menos uma, que é sofre variação para se observar seus efeitos, caso existam.


A pesquisa experimental procura entender de que modo ou por que causas o fenômeno é produzido. Para atingir os resultados o pesquisador faz uso de aparelhos e de instrumentos que a técnica moderna coloca ao seu alcance ou de procedimentos apropriados e capazes de tornar perceptíveis as relações existentes entre as variáveis envolvidas no objeto de estudo.


Adota o critério da manipulação de uma ou mais variáveis independentes (causas), sob controle, observando e interpretando as reações e modificações ocorridas no objeto de pesquisa (efeito – variável dependente). O experimento é imprescindível e a interpretação deve ter fundamentação teórica. O experimento deve explicitar os materiais e métodos (para cobaias) ou casuística e métodos (para pessoas).


A pesquisa experimental consiste em determinar um objeto de estudo, selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definir as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto.


Quando os objetos são físicos não há muitas limitações quanto à experimentação, o que não ocorre em experiências com pessoas, grupos ou instituições.


Vantagens e desvantagens: possibilita conhecimento mediante procedimentos experimentais, porém por exigir previsão e controle, torna-se às vezes inviável para os objetos sociais.


A pesquisa experimental exige um plano ou protocolo do experimento com passos bem definidos.



Método Estatístico


A estatística é uma parte da matemática aplicada que fornece métodos para coleta, organização, descrição, análise e interpretação de dados e para a utilização dos mesmos na tomada de decisões.


A literatura mostra que a estatística é um método que se aplica ao estudo dos fenômenos aleatórios e, praticamente, todos os fenômenos que ocorrem na natureza são aleatórios, como as pessoas, o divórcio, um rebanho de gado, a atividade profissional, um bairro residencial, os produtos eletrodomésticos, a opinião pública etc.


Diante da impossibilidade de manter as causas constantes (nas ciências sociais), admitem todas essas causas presentes variando-as, registrando essas variações e procurando determinar, no resultado final, que influências cabem a cada uma delas. Ex: Quais as causas que definem o preço de uma mercadoria quando a sua oferta diminui? Seria impossível, no momento da pesquisa, manter constantes a uniformidade dos salários, o gosto dos consumidores, nível geral de preços de outros produtos, etc.


Os fenômenos aleatórios se destacam porque eles se repetem e estão associados a uma variabilidade. Após a ocorrência de um fenômeno aleatório, é impossível prever com precisão o resultado de nova ocorrência. Verifica-se também na repetição de um fenômeno aleatório, que os resultados se distribuem com certa regularidade, geralmente acentuada em termos de freqüência.


Esse método se fundamenta nos conjuntos de procedimentos apoiados na teoria da amostragem. E, como tal, é indispensável no estudo de certos aspectos da realidade social, onde quer que se pretendam medir o grau de correlação entre dois ou mais fenômenos.


A primordial função desse método é a representação e explicação sistemática das observações quantitativas numéricas relativas a fatores oriundos das Ciências Sociais, como padrão cultural, comportamental, condições ambientais, físicas, psicológicas, econômicas etc., que ocorrem em determinada sociedade, ou de fenômenos de diversas naturezas pertencentes a outras ciências, como na Física, Química, Biologia, entre outras. São aqueles fatos que envolvem uma multiplicidade de causas e por fim são representados sob forma analítica, geralmente através de gráficos, tabelas, quadros estatísticos.


Para o emprego desse método, necessariamente, o pesquisador deve ter conhecimento das noções básicas de estatística e saber como aplicá-la.


O método Estatístico fundamenta-se na aplicação da teoria estatística da probabilidade e constitui importante auxílio para a investigação. Porém, as explicações obtidas mediante a utilização do método estatístico não podem ser consideradas absolutamente verdadeiras, mas dotadas de boa probabilidade de serem verdadeiras.


Mediante a utilização de testes estatísticos, torna-se possível determinar, em termos numéricos, a probabilidade de acerto de determinada conclusão, bem como a margem de erro de um valor obtido. Portanto, o método estatístico passa a caracterizar-se por razoável grau de precisão, o que o torna bastante aceito por parte dos pesquisadores com preocupação de ordem quantitativa.


Os procedimentos estatísticos fornecem considerável reforço às conclusões obtidas, sobretudo mediante a experimentação, a observação, análise e prova.


Abrange o universo dos elementos ou uma amostra. Uma boa amostra deve ser pelo menos de 20% do universo. Os métodos e técnicas de amostragem, quando bem empregados, dão condições para se chegar a conclusões válidas e a previsões muito próximas da realidade, com pequena margem de erro.


A coleta, a organização, a descrição dos dados, o cálculo e a interpretação de coeficientes pertencem à ESTATÍSTICA DESCRITIVA, enquanto a análise e a interpretação dos dados, associado a uma margem de incerteza, ficam a cargo da ESTATÍSTICA INDUTIVA ou INFERENCIAL, também chamada como a medida da incerteza ou métodos que se fundamentam na teoria da probabilidade.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A importância da iniciação científica para o aluno da graduação

Paulo Sérgio Lacerda Beirão*


O acelerado crescimento do conhecimento nos últimos anos tornou impraticável o ensino tradicional baseado exclusivamente na transmissão oral de informação. Em muitas disciplinas já não é possível, dentro das cargas horárias, transmitir todo o conteúdo relevante. Mais importante ainda, o conhecimento não é acabado, e muito do que o estudante precisará saber em sua vida profissional ainda está por ser descoberto.
O desafio da universidade hoje é formar indivíduos capazes de buscar conhecimentos e de saber utilizá-los. Ao contrário de outrora, quando o importante era dominar o conhecimento, hoje penso que o importante é "dominar o desconhecimento", ou seja, estando diante de um problema para o qual ele não tem a resposta pronta, o profissional deve saber buscar o conhecimento pertinente e, quando não disponível, saber encontrar, ele próprio, as respostas por meio de pesquisa.

Não será fazendo de nossos alunos meros depositários de informações que estaremos formando os cidadãos e profissionais de que a sociedade necessita. Para isto, as atividades, curriculares ou não, voltadas para a solução de problemas e para o conhecimento da nossa realidade, tornam-se importantes instrumentos para a formação dos nossos estudantes.

É dentro desta perspectiva que a inserção precoce do aluno de graduação em projetos de pesquisa se torna um instrumento valioso para aprimorar qualidades desejadas em um profissional de nível superior, bem como para estimular e iniciar a formação daqueles mais vocacionados para a pesquisa.

Para desenvolver um projeto de pesquisa é necessário buscar o conhecimento existente na área, formular o problema e o modo de enfrentá-lo, coletar e analisar dados, e tirar conclusões. Aprende-se a lidar com o desconhecido e a encontrar novos conhecimentos.

Os mecanismos institucionais para esta inserção são os estágios curriculares e a iniciação científica. Precisamos ampliar a iniciação científica como uma atividade curricular, valendo crédito e devidamente avaliada, para possibilitar uma melhor formação dos nossos estudantes.


* Pró-Reitor de Pesquisa